O Dono da Cesta
- 5 de abr.
- 2 min de leitura
Por alguns dias, carreguei uma cesta básica do Instituto na mala do meu carro, sem destino certo.
Eu sabia que, em algum momento, ela chegaria ao seu verdadeiro dono.
Sem ansiedade, sabia que ela chegaria às mãos do seu destino no momento certo.
Durante esse tempo, passei por alguns candidatos, mas ainda não eram eles.
Chuva forte, mala cheia, local inseguro para parar o carro sozinha.
Por esses, ficaram minhas orações.
Lembro que, quando precisava de uma casa para alugar, visitava muitas.
Mas, ao encontrar a certa, eu sabia na hora. Bastava olhar e pensar: “é essa”.
E, por isso, eu sabia que, para essa cesta, o mesmo iria acontecer.
Ele era o dono da cesta.

Pois bem, essa semana, por volta das 6h da manhã, em um dia normal, passei por um senhor com um carrinho, revirando o lixo perto da minha casa.
Conversei com ele brevemente, um senhor sorridente, simpático e temente a Deus.
Era uma cesta básica, bastante farta, mas ainda assim, somente uma cesta.
Porém, agora entramos no campo filosófico/espiritual.
Um objeto é apenas um objeto. Um pacote de alimentos dura apenas o tempo do seu consumo e não muda a condição social de ninguém, tão somente aquele instante.
Mas o que você acha que significou para aquele senhor?
Ele, que provavelmente acordou na madrugada para buscar seu sustento no lixo.
Qual foi a oração dele nesse dia?
Será que nosso encontro “acidental” foi alguma resposta ou sinal? Um cuidado, um recado: “descansa em mim”?
Não sou nada niilista, ao contrário, acredito que cada pequeno caminho, encontros e desencontrons possuem seus propósitos.
Ele estava sozinho.
Ele não estava no meio de uma multidão, estava sozinho. Essa cesta era apenas para ele.
Espero que essa cesta tenha levado ânimo a esse senhor e agradeço às pessoas que fizeram parte dessa doação.
Compartilho essa pequena história para que saibam que todo pacote de alimento generosamente doado representa muito mais que isso.
Esperança.
Embora o Instituto não seja uma organização religiosa, nossos valores são cristãos, o que
me dá liberdade para dizer que creio que essa entrega é um exemplo de como Deus nos vê: como indivíduos únicos e especiais.
Às vezes vivemos momentos de apatia, desesperança e não vemos a luz no fim do túnel, mas somos chamados pelo nosso nome.
A propósito, hoje é Páscoa, data que representa a ressurreição da nossa verdadeira esperança.
Aquilo que parece morto e terminado pode ressurgir, não como antes, mas superior e glorioso.
Feliz Páscoa a todos!
Tg 1:27: “A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições (…)”
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Carol Ribeiro.


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