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Tão Profundo Quanto Fugaz

  • 11 de abr.
  • 3 min de leitura

Em 2024, o Rio Grande do Sul passou por uma tragédia que chocou e mobilizou todo o país. Chuvas intensas causaram o alagamento de vários municípios do Estado, desabrigando permanentemente 55.813 cidadãos, além de desalojar 581.600 e, infelizmente, levaram a óbito 181 pessoas.


Canoas/RS em 2024
Canoas/RS em 2024

Na época, conseguimos o contato de um membro de uma igreja local na cidade de Canoas, uma das regiões mais afetadas, que nos informou que precisavam de agasalhos, pois estava um frio bastante intenso naqueles dias.


Antes da formalização do Instituto, conseguimos arrecadar, com colegas de trabalho, o valor de R$ 2.863,30 e realizar a compra de 170 cobertores para uma ajuda emergencial.


Os cobertores foram enviados diretamente para as mãos deles, sem intermédio de governos ou outras instituições. Com isso, garantimos que nossa ajuda fosse, de fato, usufruída por quem precisava naquele momento.


Agradeço cada colaboração dos 34 colegas que estiveram conosco nessa! Compartilho com vocês uma singela homenagem abaixo que vi pessoalmente, e que muito me emocionou, quando estive em Porto Alegre, em 2025.


Maquete no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre/RS, em 2025.
Maquete no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre/RS, em 2025.
Mas, após 2 anos, como essas quase 56 mil pessoas que perderam suas casas estão?

Como de praxe no Brasil, muitas promessas de políticos não foram cumpridas; muitos não puderam retornar até hoje às suas casas, e bairros inteiros viraram um ermo. Bairros inteiros destruídos permanentemente.


Bairros que nunca mais puderam ser habitados, pois passaram a ser classificados como área de risco, impedindo que seus moradores retornem e reconstruam suas casas. Imagem de 2026, registrada pelo Canal Via Infinda.
Bairros que nunca mais puderam ser habitados, pois passaram a ser classificados como área de risco, impedindo que seus moradores retornem e reconstruam suas casas. Imagem de 2026, registrada pelo Canal Via Infinda.

O Canal Caçadores do Sul também fez um registro impactante sobre o Município de Muçum/RS, hoje, quase uma cidade fantasma, tentando se reerguer, com dezenas senão centenas de casas e sonhos abandonados. Onde estão essas famílias?


Situação em 2026 do Município de Muçum/RS. Registro do Canal Caçadores do Sul.
Situação em 2026 do Município de Muçum/RS. Registro do Canal Caçadores do Sul.

Muitos que tinham suas casas próprias ainda sofrem, morando de forma bastante precária até hoje, em 2026, dentro de contêineres improvisados, em meio a esgoto a céu aberto. Poderia ser eu ou você que lê este texto.


Uma senhora que perdeu sua casa própria nas enchentes de 2024 e teve o auxílio cortado pela Prefeitura por estar devendo o IPTU de uma casa inexistente. Hoje, vive em conteiner. Imagem e depoimento registrado em 2026 pelo Canal Via Infinda.
Uma senhora que perdeu sua casa própria nas enchentes de 2024 e teve o auxílio cortado pela Prefeitura por estar devendo o IPTU de uma casa inexistente. Hoje, vive em conteiner. Imagem e depoimento registrado em 2026 pelo Canal Via Infinda.

Considero importante um olhar para essas pessoas, que hoje já não estão mais em evidência e tiveram suas histórias esquecidas.


Além das marcas de perdas em vários níveis, agora estão em total anonimato e sem nenhuma visibilidade para a situação deles.


Toda tragédia, quando acontece, comove muitas vezes de forma tão profunda quanto fugaz. O que nos leva a agir em meio à emoção e ao calor do momento, mas, no instante seguinte, com a notícia nova do dia, o coração se fecha novamente.


Esse é o desafio dos trabalhos sociais de forma geral: existem situações permanentes ou de longo prazo que necessitam de apoio e atenção, mas não são apelativas o suficiente para manter a comoção que leva a maioria das pessoas a sentir como se fosse com a própria família e, consequentemente, a contribuir com a causa.


A contribuição muitas vezes é financeira, mas nem sempre precisa ser. Um compartilhamento, uma conversa, uma oração, uma doação de um serviço voluntário.


Podemos ajudar de muitas formas diferentes, mas precisamos estar comprometidos e engajados com a manutenção dessa ajuda, pois um alimento acaba, um novo boleto chega, uma nova prioridade da nação acontece no dia seguinte.


Você contribui por emoção ou por entendimento? Sua empatia é genuína ou viral?

Enfim, essa semana assisti a um vídeo que considero ser um documentário publicado pelo Canal Via Infinda, que mostra a história de algumas dessas pessoas que sofreram não somente com a enchente histórica de 2024, como também haviam sofrido no ano anterior, em 2023.


Recomendo que seja visto e compartilhado para sensibilização sobre a situação atual dessas pessoas.


Não estamos fazendo nenhuma campanha, convênio ou parceria, mas encorajamos que procurem e apoiem organizações civis idôneas. Hoje, recomendamos a Aliança Evangélica.


A mensagem final que deixo, é que o povo gaúcho é extremamente resiliente, trabalhador e empreendedor. Desejo o melhor para os nossos irmãos brasileiros dessa região!



Carol Ribeiro.

 
 
 

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